Pensava eu, desde criança que passar o natal na neve seria como se estivéssemos mais próximos de Papai Noel. Existindo, ou não, o tal Bom Velhinho. Será que é porque passei toda minha infância assistindo a “Esqueceram de mim 1,2,3,4...” todo dia 25 de dezembro as 2h da tarde na Rede Globo?
Será porque existe uma mídia que funciona como elo à um mundo imaginário onde dezembro só é dezembro se as ruas estiverem cobertas de neve? Não faço a menor idéia do que explica esse lance de que Natal tem que ter neve. Pelo menos não pra mim, brasileira, pernambucana, onde Natal com neve, na minha cidade, seria verdadeiramente um milagre divino, assim com redundância mesmo, pra enfatizar o quão estupendamente diferente, e até assustador, isso seria.
Me recordo neste momento como eu sonhei em ter um Natal na neve, por quantos anos eu pensei nisso, acreditando bem no fundo do coração que isso faria do meu Natal algo supremo, inesquecível, e que nada mais eu precisaria para ter um literal Feliz Natal.
Eis que foram preciso passarem 23 anos para eu descobrir a verdade. Meu último Natal, esse que acabou de acontecer, tive a neve que eu tanto quis um dia. As ruas lindas, cheias de luzes, as árvores cobertas de flocos de neve, todas as casas da cidade enfeitadas como se tivessem em uma disputa de quem teria a conta de luz mais alta no final do mês.
Bonecos de neve, crianças fantasiadas de esquimó fazendo guerra e snow angel. Lindo, perfeitamente lindo. Era tudo o que eu queria para um Natal, e se agora eu tinha tudo isso, eu estava tendo um feliz Natal, certo? Errado! Muito Errado!
Não é a neve que faz o Natal ser Natal. Me lembro bem do instante em que olhei para os meus pais que na ocasião tinham vindo me visitar no Canadá, e pude ver que aquilo sim era um Feliz Natal.
Eu poderia ter tido toneladas e toneladas de neve, mas se eles não tivessem ali, bem ali ao alcance dos meus braços, o meu Natal não seria Natal. Dá pra entender? Você passa a vida toda querendo algo, e quando tem, você ver que esse algo é sim legal, te provocou emoções, te arrancou lágrimas de alegria e sorrisos de surpresa. Mas, se você olha a coisa direito, a fundo, você acaba percebendo que Natal não é menos Natal se não tiver neve. Mesmo.
Eu aprendi. Aprendi que o que faz a gente feliz de verdade nem sempre é o que a gente sonha em ter, e sim o que a gente sempre teve, mas nunca se deu conta disso.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
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