Foram noventa anos incompletos de uma vida resumida em duas palavras: MISSÃO CUMPRIDA!
Seu Queiroz para muitos era visto como exemplo de vida, ícone da publicidade. Para mim, tudo isso, claro, mas era antes de tudo o meu avô, meu incentivo, meu exemplo, meu conselheiro. A pessoa que resmungava na hora do jornal nacional, que se engasgava com o biscoito de polvilho, que tinha opiniões fortes e bem difíceis de convencê-lo do contrário, e que conquistava a qualquer pessoa num piscar de olhos.
Quando eu recebi a notícia, eu estava muito distante. Eu queria pegar o primeiro avião. A dor foi muito forte. Só em pensar que ao chegar ao Brasil eu não o veria mais, meu desespero era tremendo. Até agora, em alguns momentos, me pego chorando e sem acreditar.
Eu, que amo escrever e costumo fazer desde cartas de amor a cartas de conforto para ajudar a um amigo na perda de um ente querido, queria escrever algo pra homenagea-lo. Meu avô amado, uma das pessoas mais importantes da minha vida. Mas como? Como se eu ainda acho que não é verdade? Como se eu ainda acho que ele está brincando de se esconder? Como se vez ou outra eu ainda ouço os seus assobios e pigarros?
Eu me recordo que na última vez que o vi, antes de retornar ao Canadá no começo de abril, ele me disse, "Volta logo e se cuide que assim você tá cuidando de mim. Vô te ama". E eu respondi, "Volto sim, eu te amo muito mais". Ele me deu um beijo na cabeça, e eu fui embora.
Bom, mesmo sem acreditar ainda que aquelas foram as últimas palavras e o último beijo na cabeça no último dia em que estivemos juntos, vou fazer o que ele pediu e me cuidar. Porém, agora, com a ajuda dele lá de cima que certamente estará olhando por mim.
Tenho até certeza que, se bem o conheço, Seu Queiroz já reclamou com o porteiro do céu se ele tiver demorado a abrir o portão. Parece que posso até ouvir a voz dele dizendo: "Pra que ter porteiro se a guarita está vazia e eu preciso ficar esperando? É brincadeira, esse povo, não gosta mesmo de trabalhar!" E depois, ao entrar no céu, já foi jogando moedinhas pelo caminho, cumprimentando todo mundo e se juntando aos amigos para contar suas historias e piadas...
Sabe, vô, seu maior orgulho era dizer que era AMIGO dos seus netos antes de ser AVÔ. E o meu, foi ter vivido o privilégio dessa amizade.
A esperança que me resta agora é de um dia nos reunirmos todos ai em cima, e que possamos de novo ser a mesma família com seu patriarca junto de nós. A tristeza que está estampada no meu rosto, há de ser passageira. Já nascemos sabendo que a morte é inevitável, e sabemos também que a alegria da sua lembrança há de permanecer. Você é insubstituível em nossos corações e nossas vidas.
Meus olhos em lágrimas são a prova maior de que meu amor por ti não teve início e jamais terá fim!
Fica com Deus, meu vô, meu amigo, MEU Seu Queiroz!
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Prosseguindo...
Algumas vezes na vida nós vamos sentir vontade de voltar a fazer algo que haviamos parado por algum motivo que seja. Quando eu começei a escrever este blog, minha intenção era fazer dele um diário de bordo. Seria onde eu passaria a escrever meus sentimentos e dividir com as pessoas minhas experiências e opniões. Eu fiz isso algumas vezes, mas com um tempo, fui deixando essas coisas de lado e fui parando de escrever.
Certo fim de tarde essa semana, em conversa com um amigo, entre boas risadas, vinho Austríaco e um pedido errado do cardápio dos specials, eu me dei conta de que ter "um papel e uma caneta" na mão e sair viajando na maionese era uma coisa que me fazia muito bem, e que, eu deveria voltar a me dedicar a coisas que despertem em mim momentos de alívio e descontração. Ok. Se a idéia do “E antes que um dia eu esqueça” é registrar das coisas importantes as inúteis só pelo fato de um dia eu ler e poder lembrar de tudo que eu vivi, pensei, senti, inventei, sonhei, imaginei e aprendi, então, vamos nessa. Vou por essa bagaça aqui pra funcionar antes que, um dia, de fato, eu acabe me esquecendo mesmo.
Assinar:
Comentários (Atom)